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05.01.2021

Cerrado Gastronômico com o Chef Vinícius Rossignoli

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Olá queridos leitores.

É com muita satisfação que começo hoje esta coluna dedicada aos sabores e potenciais de encantamento de nossa terra. Peço licença pela forma apaixonada mais muito honesta que escreverei neste espaço. O Cerrado é o bioma onde vivemos, onde muitos de nós nascemos, mas muito pouco conhecemos.

Antes de tudo, meu nome é Vinícius Rossignoli, sou chef de cozinha, formado em publicidade, pós graduado em gestão de negócios, empresário, professor e pesquisador. Talvez você já tenha me visto no Masterchef 2018, e foi lá que minha decisão pela gastronomia aconteceu.

Como chef de cozinha, busquei me aperfeiçoar em técnicas internacionais tradicionais, clássicas e de alta gastronomia, mas mesmo com essa bagagem ainda não me sentia completo. Havia algo faltando… era aquele tipo de coisa que sentimos quando olhamos para o alto e vemos tudo em ordem, mas debaixo nos nossos pés parece que falta base, chão, raízes… resolvi olhar para dentro, resgatar minha herança histórica que me fez trilhar esse caminho, minhas referências e motivos que me deram a paixão por experimentar, testar e provar os sabores que estavam ao meu redor.

Sempre me espelhei em grandes chefs de cozinha como Paul Bocuse, Joël Robuchon, René Redzepi, Auguste Escoffier, Robert Wolke e outros, mas foram cozinheiras como Juracy Motta, Altina Pontes Santana e Aglaé de Santana que me inspiraram a ir além da mistura de ingredientes, de fazer muitas coisas por técnica mas também por instinto, de colocar em qualquer comida aquele tempero secreto que faz a comida de casa ser tão acolhedora e que no final descobrimos que é simplesmente o amor de quem quer fazer o melhor por nós. As senhoras citas acima são respectivamente minha avó paterna, avó materna e minha adorável mãezinha. Foi com elas que aprendi valiosas lições de que a comida é feita muito mais com o coração do que ingredientes, e era isso que faltava na minha busca pelas verdades e identidade gastronômica da minha culinária. Foi ai que me conectei ao cheiro do fogão a lenha, dos doces preparados durante horas em fogo baixo, da textura dos utensílios rústicos da fazenda, dos sons compassados das galinhas ao botarem seus ovos, da atenção ao leite fervendo para não derramar, do gosto da rapa do tacho com doce de mamão… E foram essas riquezas que me fizeram perceber que tratamos nossa cultura como algo de segunda linha, de rusticidade irreparável, que deve ser apresentada apenas como comida de roça, quando na verdade possuem todos os predicados para despontarem como alta gastronomia e ganharem a atenção dos principais chefs do mundo. Por favor, não entenda minha fala como demérito em tratar como comida da roça, muito pelo contrário, meu objetivo é exaltar a qualidade organoléptica desses pratos feitos por nossos ancestrais, mesmo que sem tecnicidades formais, mas que despertam emoções reais ao comermos e que são nossa cozinha raiz, tão bem defendida por chefs como Gilmar Borges, a quem faço referência por sua incansável luta em favor do resgate e manutenção de nossas heranças e conhecimentos culinários centenários. São anos dedicados ao conhecimento e aprofundamento dos saberes e sabores, das técnicas, tecnologias, etnogastronomia e heranças culturais que permitiram que os indígenas e todos os outros povos e expedições subsequentes se estabelecessem no cerrado, e todas essas aprendizagem e descobertas serão compartilhadas com vocês semanalmente aqui no portal Visite Brasília.

Vivemos na maior savana do mundo, no bioma mais antigo da terra, na região com o maior número de espécies de abelhas, borboletas e vespas do planeta, das nascentes das bacias hidrográficas mais importantes, de paisagens desconcertantemente lindas, do céu mais azul e da maior biodiversidade alimentar do planeta, mas mesmo assim não conhecemos e tampouco valorizamos, visitamos esses espaços ou sabemos dos nossos sabores.

Convido a você a conhecer um pouco mais sobre o Cerrado, principalmente de Brasília, seus pontos turísticos, curiosidades e sabores, através dos frutos disponíveis nos parques, de pratos feitos por chefs em restaurantes da cidade que levam nossos ingredientes, dos festivais gastronômicos de nossa cultura, dos encontros de foodtrucks e também, de desfrutarmos desse delicioso cardápio turístico de nosso estado, que, por vontade do destino é o único estado brasileiro 100% cerrado, no coração do bioma, e que por esse motivo nos traz o chamado e o dever de cuidarmos deste patrimônio que chamamos de lar.

Muito obrigado pela companhia e seja muito bem vindo(a) ao Cerrado Gastronômico. Até a próxima semana.

icon ig 50X50 Cerrado Gastronômico com o Chef Vinícius Rossignoli

 

 

Fotos: Fran Marsico


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