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28.06.2019

ERA UMA VEZ UM CINE DRIVE-IN

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Autor: MARCUS LIGOCKI JR

Fui ao meu primeiro filme no Drive-In de Brasília aos 4 anos de idade. Quase quarenta anos depois, o último Drive-In brasileiro estava ameaçado de demolição pelo Governo do Distrito Federal, quando nosso filme ajudou a revitalizar o local e contribuiu para afastar para longe o fantasma da demolição. Estou falando de “O Último Cine Drive-In”, já assistiu?

Meu pai e minha mãe me levaram no drive-in pela primeira vez para assistir “O Ônibus Atômico” em 1976. Naquela noite, tenho a lembrança de comer um x-burguer que o garçom levava na janela do carro, mas isso eu já não posso afirmar. Este ritual se repetiu dezenas de vezes. Chegávamos na entrada, comprávamos os ingressos, estacionávamos e fixávamos os autofalantes de metal pelo lado de dentro da janela e assistíamos a filmes maravilhosos. Mais tarde bastava sintonizar o som do filme no rádio do carro. Quando comecei a dirigir, continuei indo ao drive-in, mas nem sempre assistia os filmes inteiros. Certa vez, fui buscar uma namorada em casa e estávamos atrasados. Resolvi acelerar e quase sofremos um acidente numa curva a 200 metros da entrada do cinema. Felizmente saímos ilesos e aprendi a lição.

Anos mais tarde o diretor Iberê Carvalho me convidou para produzir seu primeiro longa metragem que se chamaria “O Último Cine Drive-In”. Eu já não frequentava o cinema a céu aberto há alguns anos, mas fui invadido na mesma hora por todas aquelas emoções. Sabe quando o Anton Ego experimenta o ratatouille feito pelo personagem Linguini no filme da Pixar, Ratatouille? Pois foi assim, tive que aceitar.

Quando começamos a enfrentar os desafios da produção, fomos informados de que havia um projeto de reforma do autódromo, no qual o drive-in seria demolido. E a data já estava definida. Se quiséssemos fazer o filme, teríamos que rodar antes da data estabelecida para a demolição. Este fato acabou dando uma urgência importante para a nosso projeto e, em meio à busca de apoio logístico nos diversos órgãos do Governo e da subsequente cobertura da imprensa, cresceu na população brasiliense um sentimento de perda muito grande. Estávamos frente-a-frente com a extinção completa de uma forma deliciosa de assistir filmes. Iríamos permitir isto? O Cine Drive-In de Brasília já era o último do Brasil e ainda circulava a informação de que seria o último da América Latina. Sua demolição já estava com a data marcada. O fim estava diante de nossos olhos.

A Maíra, nossa diretora de arte, que depois recebeu vários prêmios em reconhecimento ao seu trabalho pelo filme, reformou a placa de neon da entrada, pintou as demarcações para os carros no asfalto e fez ainda alguns pequenos ajustes em paredes e luminárias. Já durante as filmagens, as notícias que saíam na imprensa começaram a atrair as pessoas e a aumentar gradativamente o fluxo de pessoas nas sessões do drive-in. Quando o filme ficou pronto, fizemos a pré-estreia no próprio Cine Drive-In e, para a nossa alegria, foi uma comoção absoluta. A fila de carros se estendia até o eixo monumental. Não houve vagas para todos os que quiseram participar. Nas semanas seguintes, as sessões do último cine drive-in da América Latina se encheram e logo não se ouviu mais falar na demolição.

Espero que o Cine Drive-In de Brasília exista eternamente e saiba sempre se reinventar para que o público mantenha sua frequência, testemunhando uma era romântica da exibição cinematográfica.

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