06.02.2019

EXPOSIÇÃO NO MUSEU NACIONAL RECONSTROI TRAJETÓRIA DA ARTISTA NILCE EIKO HANASHIRO

IMG 20190206 WA0000 1024x768 EXPOSIÇÃO NO MUSEU NACIONAL RECONSTROI TRAJETÓRIA DA ARTISTA NILCE EIKO HANASHIRO

Falecida em 2015, seu trabalho acompanhou, de maneira reservada, porém incisiva, aquilo que de mais importante se produziu em arte contemporânea nas últimas décadas, no Brasil e no mundo

Antologia propõe preservar, para o público de todas as gerações, para os jovens artistas e para as gerações futuras, um conjunto amplo da obra da artista

O Museu Nacional de Brasília recebe, de 6 de fevereiro a 31 de março a exposição ANTOLOGIA – NILCE EIKO HANASHIRO, com curadoria de Fernando Cocchiarale e Gladstone Menezes. Trata-se de uma grande retrospectiva da carreira de uma das mais expressivas artistas de Brasília, cuja obra é múltipla, diversa e plena de singularidades. Seu trabalho acompanhou, de maneira reservada, porém incisiva, aquilo que de mais importante se produziu em arte contemporânea nas últimas décadas, no Brasil e no mundo. A mostra é realizada por meio do Fundo de Apoio à Cultura, da Secretaria de Cultura do DF (FAC) sob a coordenação da Tuia Arte e Produção. Entrada franca.

Falecida em 2015, Hanashiro deixou um imenso acervo que incluem desenhos, fotografias, objetos, instalações , registros de performances produzidos ao longo de quatro décadas. Quase todo esse material foi doado pela família da artista ao amigo de longas datas Gladstone Menezes, um dos curadores da exposição. “Sou amigo da Eiko e da família desde a década de 1970 e pude acompanhar grande parte de sua carreira, principalmente após o final da década de 1980, quando ela trocou o desenho pelas linguagens mais contemporâneas. Todo o material ficou sob minha responsabilidade e futuramente fará parte do acervo de museus e instituições em Brasília, Rio de Janeiro e Curitiba”, conta.

Antologia propõe preservar, para o público de todas as gerações, para os jovens artistas e para as gerações futuras, um recorte amplo da obra da artista, registrando a importância histórica da trajetória e sua marca no cenário artístico e cultural de Brasília.

O curador Fernando Cocchiarale, crítico e professor de arte no Rio de Janeiro, e Gladstone Menezes selecionaram mais de 300 trabalhos do diversificado acervo, no qual estão desde os primeiros esboços de desenhos, feitos na década de 1960, até os registros de performances e reconstituição de objetos e instalações, já da primeira década dos anos 2000. Algumas obras de características efêmeras foram recriadas especialmente para a mostra.  “A exposição é um resumo da produção da Eiko nas linguagens do desenho, da performance e objetos e instalações, que ela produziu ao longo de 45 anos de trajetória”, conta Gladstone.

Além das obras propriamente ditas, Antologia é composta por documentos, como fotografias de viagens, negativos fotográficos, diplomas e certificados e alguns objetos pessoais. Todo esse acervo foi digitalizado, catalogado e fichado, resultando, também, em um rico material de pesquisa. “Para escapar do didatismo das categorizações, a linha curatorial buscou integrar as obras de maneira a ressaltar a unidade que, a despeito da aparente multiplicidade, a artista buscou, obsessivamente, em sua trajetória”, explica Gladstone.

Eiko era nissei, e sempre questionou a dualidade de suas raízes – brasileira e japonesa. Os temas abordados pela artista são suas origens e as dúvidas e questionamentos decorrentes, tais como religiosidade, sexualidade, heranças aquisições culturais. As questões femininas são amplamente abordadas, em instalações como Corpo ficcional e, especialmente “Noivos”, nas quais a artista faz ressaltar a expressão de tristeza nos rostos de todos.

Outro destaque da Antologia é a instalação “Fonte”, ou “O laranja” (dois títulos encontrados nos registros da artista, que raramente nomeava seus trabalhos). A obra é reconstituída a partir de registros fotográficos. Trata-se de um círculo com 2,5 metros de diâmetro, forrado com tule e cetim em tons de laranja e dourado e flores de tecido gigantes, e ganchos de açougueiro, suspenso por cabos de aço e flutuando a alguns centímetros do chão.

Paralelamente, a Galeria deCurators (SCLN 412, Bloco C, Loja 12) promove, de 17 a 31 de março promove a Homenagem a Nilce Eiko Hanashiro com a participação dos artistas Gisel Carriconde Azevedo, Laura Franz-Grijal, Mariana Destro, Thalita Perfeito e Yná Kabe Rodríguez.

NILCE EIKO HANASHIRO

Nasceu em Itariri, São Paulo, em 1948. A artista descende de imigrantes japoneses, originários de Okinawa. Chegou em Brasília com a família em 1958. Desde jovem dedicou-se ao desenho. Iniciou a trajetória artística ao participar de salões de arte promovidos pela comunidade japonesa em São Paulo. Logo em seguida foi selecionada para a Bienal Nacional de 1976. A partir de 1977, a carreira se sedimentou, ao frequentar a Escolinha de Arte do Brasil e a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, onde estudou com Romilda Paiva, Nakakubo e o seu grande mestre Roberto Magalhães, e conviveu com o grupo de artistas e críticos que viriam a construir o cenário da arte brasileira a partir dos anos 1980. Nesse período produziu incessantemente desenhos em técnicas variadas, com lápis, nanquim guache e pastel, e realizou importantes mostras individuais no Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília.

No final da década de 1980, ela retornou a Brasília. Ocorreu uma ruptura com o desenho. Passou a utilizar as linguagens da performance e da instalação, quase sempre associadas. A partir daí, Nilce Eiko dedicou-se inteiramente a desenvolver seu trabalho nessa direção, vinculados sempre à temática feminina ou ao resgate da memória ancestral.

Entre 1995 e 1997 Nilce Eiko realizou viagens ao exterior, fundamentais para a consolidação de sua pesquisa estética. Em 1995, perambulou pela Espanha, Itália e Alemanha recolhendo, aqui e ali, objetos que viriam a fazer parte de futuros trabalhos.    Esmiuçou álbuns familiares com olhar sociológico, mas sem perder a vista das questões femininas. O primeiro trabalho da fase surgiu em 1994. É composto por uma sequência de 12 fotografias em preto e branco, feitas em estúdio, nas décadas de 1940/1950, de casais de noivos, japoneses ou descendentes. Dois outros trabalhos dessa fase foram reconstituídos para a Antologia: os “sabonetes”, de 2001 a 2003, e os retratos em 3×4. “Fonte”, ou “O laranja” (dois títulos encontrados nos registros da artista, que raramente nomeava seus trabalhos), é outra instalação reconstituída a partir de registros fotográficos. “Luvas”, foi outra performance transcorrida ao longo da primeira metade da década de 2000. Porém, diferentemente das anteriores, não se trata de um ato solitário. Nilce Eiko Hanashiro faleceu em 2015 em decorrência de complicações por diabetes.

FERNANDO COCCHIARALE

Crítico de arte, curador e professor de filosofia da arte do Departamento de Filosofia da PUC-RJ, é também professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Autor de artigos, textos e resenhas publicados em livros, catálogos, jornais e revistas de arte do Brasil e do exterior. Foi curador e coordenador do programa Rumos Itaú Cultural Artes Visuais, Coordenador de Artes Visuais da Funarte, e curador do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ). além de membro de inúmeros júris e comissões de seleção de mostras e salões no Brasil.

É curador independente, sendo responsável por exposições no MAM-RJ, Itaú Cultural (SP), Santander Cultural (RS), Oi Futuro, (RJ), Paço Imperial (RJ) Casa França-Brasil (RJ), Museu Nacional do Centro Cultural da República (DF). É doutor em Tecnologias da Comunicação e Estética pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

GLADSTONE MACHADO DE MENEZES

Escritor, artista plástico, cenógrafo. É pós-graduado em Arte, Educação e Tecnologias Contemporâneas pela Universidade de Brasília (2006) e licenciado em Educação Artística – Artes Cênicas, Universidade de Brasília (1986).

Desde 2005 coordena e atua, nas áreas de expografia, curadoria e/ou coordenação editorial, em projetos de artes visuais e literatura no Distrito Federal, tais como: “Urômelos, coelhinhos e quimeras – trabalhos recentes de Antonio Carlos Elias”, no Museu Correios (2018) e “Conservar o tempo – obras de Fernando Madeira”, no Museu Nacional da República (2018). “Traço suspenso – desenhos de Mateus Gandara”, no Museu Nacional da República (2017). Deitei para repousar e ele mexeu comigo, do artista mineiro Fabio Baroli, no Centro Cultural Banco do Brasil-Brasília-DF, (2015).
É autor dos livros “O livro dos cacos e outros fragmentos incômodos”, de textos poéticos e imagens fotográficas (2018); Kwe – Luzes do Arco-Íris, um ensaio sobre religiões de matriz africana (2015); Histórias Desagradáveis, contos (2010) e Rapunzel, romance infanto-juvenil (2005). Juntamente com os artistas Delei Amorim e Marta Penner, participou da elaboração e coordenação do  projeto de publicação do livro-catálogo “Linha do Céu”, da artista plástica Nilce Eiko Hanashiro, Edição do autor, (2005/2006).

SERVIÇO:

ANTOLOGIA: NILCE EIKO HANASHIRO

LOCAL: MUSEU NACIONAL DA REPÚBLICA (Setor Cultural Sul Lote 02 – Esplanada dos Ministérios)

DATA: DE 6 DE FEVEREIRO A 31 DE MARÇO

HORÁRIO: TERÇA A DOMINGO, DAS 9H ÀS 18H.

TELEFONE: 3325-5220

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