EnglishJapanesePortugueseSpanish

Filme inédito reativa histórias de violência contra adolescentes na Ditadura Militar


FilmeOC Fotos Still DuduFerreira 2014 4 1024x768 Filme inédito reativa histórias de violência contra adolescentes na Ditadura Militar

 

Documentário estreia dia 04 de dezembro no Canal Curta!

Mais do que um documentário sobre um episódio em tempos de Ditadura Militar, o filme Operação Camanducaia resgata a memória histórica do nosso país, culturalmente amnésico. Com estreia prevista para às 22h30 de 04 de dezembro de 2020 no Canal Curta!, o longa-metragem é dirigido por Tiago Rezende de Toledo, produzido pela Cambuí Produções, com recursos do FSA.

O road movie é resultado da investigação sobre a ação policial que, em 19 de outubro de 1974, retirou 93 crianças e adolescentes das ruas de São Paulo, as levou para a sede do Departamento Estadual de Investigações Criminais de São Paulo (DEIC) e largou os garotos na cidade de Camanducaia, Minas Gerais.

Após serem deixados nus, famintos e machucados na rodovia, eles invadiram um postos de combustíveis na entrada da cidade em busca de ajuda. Somente 41 foram recolhidos pelas autoridades em Camanducaia e 52 deles continuam com o paradeiro desconhecido.

A ideia para a produção do filme e para reacender esse fato chocante de violação dos direitos humanos nasceu da leitura do livro Infância do Mortos, de José Louzeiro. O autor trabalhava na Folha de São Paulo em 1974 e afirmava ter sido o primeiro jornalista a chegar a Camanducaia. Esse episódio foi amplamente divulgado pela imprensa na época, além de ter sido denunciado na justiça, mas acabou arquivado no TJSP, sem punição para os envolvidos.

Na primeira sindicância sobre o crime, o escrivão José Alípio Pinto assumiu a autoria, preservando o alto escalão da polícia e da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Essa sindicância foi acusada pelo promotor João Batista Marques Viana Filho de ter sido forjada. O escrivão foi suspenso por 30 dias, mas durante a investigação da Corregedoria dos Presídios e da Polícia Judiciária outras testemunhas acabaram revelando a manipulação dessa sindicância e que o verdadeiro mandante seria Rubens Liberatori, diretor do DEIC, que deixou o cargo, mas logo assumiu outro posto importante na polícia.

Há dez anos Tiago iniciou a busca pelos protagonistas dessa história, os que estavam no ônibus naquele dia: policiais paulistas e garotos (agora homens) apreendidos. Na última década, ele pesquisou em mais de 1,5 mil páginas de documentos e jornais e entrevistou cerca de 57 pessoas. Depois de percorrer bibliotecas, hemerotecas, sebos, Fóruns da Infância e Juventude, de São Paulo e de Camanducaia, arquivos públicos e de inúmeras viagens para encontrar os sobreviventes, Tiago fez com que o longa priorizasse mostrar a singularidade de cada personagem.

O filme em números

–  55 horas filmadas.
– 278 pessoas foram identificadas durante as pesquisas.
– 57 pessoas foram entrevistadas em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. 25 Deles entraram no corte final do filme.
– 8.000 km percorridos.
– 17 periódicos impressos cobriram o episódio, entre eles os principais jornais de São Paulo, Rio e Minas Gerais, além de revistas nacionais e de reportagens especiais.

E mais
– Foi localizado o principal processo do caso, desarquivado a pedido do documentário, onde constam farta documentação, depoimentos e pareceres impactantes e, após mais 1.000 páginas, o parecer final do Judiciário.

O Diretor

Tiago Rezende de Toledo (Diretor e roteirista): Nascido em Minas Gerais, é jornalista com especialização em cinema.

Gerente na Caixa Cultural Fortaleza entre 2017 e 2020. Antes de mudar-se para o Ceará, entre 2012 e 2017 foi supervisor na Caixa Cultural São Paulo, onde compôs a curadoria das mostras de cinema. Foi programador e presidente de cineclubes e implantou o do ponto de cultura Cinema Para Todos.

Em 2007 começa a dirigir os primeiros documentários experimentais. Dirigiu o curta “A alma encantadora das ruas” (2007), piloto de uma série de documentários inspirada na obra de João do Rio. Operação Camanducaia é seu primeiro longa-metragem.

Canal Curta!

O Canal Curta! é um canal independente, dedicado às artes, cultura e humanidades. São assuntos do canal: música, cinema, dança, teatro, artes visuais, história, filosofia, literatura, psicologia, política e sociedade. Documentários em curta, média e longas-metragens predominam na programação, que traz também séries e cinema de ficção. Peças jornalísticas e vídeos em parcerias com instituições culturais enriquecem e dinamizam os intervalos.

O Curta! acolhe a experimentação e se orgulha de ser um parceiro dos realizadores, artistas e criadores. Seu compromisso é transmitir ao menos 12 horas por dia da melhor programação brasileira, assim como programação estrangeira de qualidade.

O Curta! está nos canais 56 e 556 na Net / Claro TV, 75 na Oi TV e 664 na Vivo TV (canal à la carte).

Os 41 + os 52 que faltam

De acordo com a fonte, havia entre 91 e 97 garotos naquele ônibus. O filme adotou o número de 93 como referência, por conta indicações dos processos, a partir dos relatos dos que testemunharam a contagem no pátio do DEIC. 41 deles foram recolhidos e identificados pelas autoridades de Camanducaia/MG. E os demais?

Pensar nos garotos que nunca foram encontrados é um desafio, um mistério interminável. Há relatos de tiros no momento do despejo, mas será que todos eles foram mortos? Não há evidências. Certamente, quem sobreviveu guarda na memória psíquica e corporal as difíceis lembranças da Operação Camanducaia, independente de terem sido identificados oficialmente ou não. Se não houve a morte física, de certa forma, houve uma morte simbólica.

Os sobreviventes registrados pelo Estado também carregam marcas, disso não há dúvidas. Nossa equipe esteve com alguns, que se dispuseram a se abrir, tornando-os personagens do filme. Após anos de anonimato, relegados a ficar atrás das abreviações de suas iniciais e das vendas de seus olhos, o objetivo maior do filme foi abrir espaço para a subjetividade e a singularidade de cada um. Eles têm nome e voz. Foi necessário lhes remover as vendas e abrir os nossos ouvidos: não nos cabe falar em nome deles.

Uma de nossas tarefas enquanto filme documental, a de dar a eles oportunidade de verbalizar, foi cumprida. E para que a outra tarefa também se faça, cada um de nós tem um papel importante: ser instrumento para reverberar, mantendo viva a memória da Operação Camanducaia e divulgando ações criminosas que acontecem até hoje em larga escala com nossas crianças e adolescentes.

Principais entrevistas realizadas

Ex-governador Laudo Natel: ex-governador de São Paulo, fundador da Pró-Menor, antecessora da FEBEM, estava no final do mandato quando ocorreu a Operação. Seu secretário de segurança era um dos “linha-dura” da ditadura, Coronel Erasmo Dias.

Paulo Markun: jornalista e escritor. Paulo Markun era “foca” na Folha, mas teve participação importante na descoberta de fatos que influenciaram as próprias investigações.

Padre Júlio Lancellotti: Trabalhava no DAM (Departamento de Amparo ao Menor) na época, bem antes de ser padre.

Delegado Celso Chagas: comandou a primeira sindicância do caso, encerrada apenas 24 horas depois de aberta. Foi acusado pelo promotor do caso de ter forjado a sindicância.

Mingo – ex-carcereiro: um dos policiais que estavam no ônibus, o qual teria dirigido na ida e na volta. Uma das entrevistas mais lacônicas do filme.

Manoel: o motorista que saiu pelas estrada atrás de garotos pelados.

Laura: a ex-prostituta, que na época morava na zona boêmia da cidade, Rua da Usina, conta como ela e suas colegas ajudaram os garotos.

João Batista: gerente do Posto Cometa na noite em que foi invadido pelos garotos.

Paulo, David, Wilson e Armando – Sobreviventes: foram entrevistados quatro sobreviventes, com histórias muito distintas entre si.

Operação Camanducaia (Brasil, 2020; 76 min)

BRDE, FSA, ANCINE, Canal Curta! e Cambuí Produções apresentam:

Pesquisa, Roteiro e Direção
Tiago Rezende de Toledo

Montagem
Victor Costa Lopes

Produção Executiva
Aléxis Góis

Direção de Fotografia
Robert Nakabayashi

Imagens
Robert Nakabayashi, Danilo Santos e Renata Reis

Som Direto
Glauber Alves, Anderson Rodrigues e Altyr Pereira

Trilha Sonora Original
Vitor Colares

Consultoria de Roteiro Montagem
Lis Paim

Direção de Arte
Miligrama

Cor e Finalização de Imagem
Petrus Cariry

Mixagem e Finalização de Som
Érico Paiva

Pesquisa Complementar
Aléxis Góis (2019), Dudu Ferreira (2013/14), Filipe Diniz (2011), Valério Paiva (2012)

Pré-produção
Dudu Ferreira
Valério Paiva e Vanessa Remonti

Produção
Dudu Ferreira e Felipe Campos

Produção Camanducaia 2012
Traço Livre Comunicação

 

Fonte: DÉGAGÉ

Foto: Dudu Ferreira

Por:
Data: 03/12/2020


Fechar

Enviar email

Que tal ter acesso rápido e fácil ao seu roteiro de onde estiver?
Envie por e-mail, compartilhe com amigos, e divirta-se em BSB!!!

Fechar

Criar novo roteiro

Fechar

Editar Roteiro

Fechar

Esqueci minha senha

Fechar

Aviso

Solicitação enviada com sucesso!