03.10.2017

À MARGEM DO ABRIGO

086 À MARGEM DO ABRIGO

A vida no abrigo

Uma em cada três crianças e adolescentes acolhidos em abrigo no Brasil tem entre 14 e 18 anos, idade limite para permanência sob a tutela do Estado. Em números absolutos, são 14 mil meninos e meninas que, habitando uma casa de acolhimento, esperam por uma improvável adoção e se afligem diante da perspectiva de irem ao mundo sozinhos. Se, até os 18, nenhuma família os adotou, terão de adotarem a si mesmos, para a vida adulta. Sem família e, como única referência, a casa coletiva onde passaram boa parte da vida.

Dramas, angústias, lembranças, dilemas, buscas, afetos de quem ainda não chegou à idade adulta compõem À Margem do Abrigo, com dramaturgia de Sérgio Maggio e Yuri Fidelis que será exibida, em estreia, no Teatro Goldoni, dia 7.10, às 21h, seguindo até o dia 22, sempre aos sábados, às 21h, domingo, às 20h. Com cenografia e figurino de Maria Carmen, a peça foi inspirada na série de reportagens

Depois do Abrigo, de Conceição Freitas, publicada no Correio Braziliense em agosto de 2014.

Escrita a quatro mãos, por Sérgio Maggio e Yuri Fidelis, a peça apresenta três personagens que, retirados de suas famílias por força de terríveis circunstâncias, passaram boa parte da vida em abrigo e, às vésperas de completar 18 anos, repassam com as palavras e com o corpo o que viveram e os temores e esperanças pelo que ainda vão viver fora da instituição que os acolheu.

“O abrigo foi a casa deles, a família deles, e como em toda a família, estiveram sujeitos a alegrias e tristezas. Não foram laços de sangue o que os uniu. Foram laços de vida e é com esses laços que eles seguirão à procura dos próprios caminhos”, explica Sérgio Maggio, que já carrega a experiência de outros espetáculos exibidos em boa parte do Brasil, Eros Impuro, Eu vou tirar você deste lugar – As canções de  Odair José e L – O musical.

No palco de À Margem do Abrigo, três jovens e talentosos atores, Rodrigo Mármore, Micheli Santini e Pedro Mazzepas em fortes atuações dramáticas, nas quais o corpo é quase um segundo elemento do mesmo personagem. O mesmo corpo que se impõe ao adolescente na travessia para a idade adulta. “Corpo que abriga e suporta transformação e conhecimento”, diz Maggio.

Os três atores têm atuações-solo, simultâneas, porém cada um no próprio cenário. O espectador será convidado, na bilheteria, a escolher um dos três personagens – Rodrigo, Micheli ou Pedro (que têm o mesmo nome dos atores). Um pequeno resumo do perfil de cada um dos três estará à disposição na entrada do teatro para que o espectador faça a sua escolha. O espetáculo termina com os três personagens juntos no mesmo cenário.

Para dar conta dessa arquitetura em três dimensões simultâneas, a cenógrafa Maria Carmen desenvolveu um projeto que vai permitir um isolamento espacial dentro da mesma sala de espetáculo. Cenografia que se transforma, nos momentos finais, num mesmo ambiente.

Embora tenha tido como matriz uma série de reportagens, a dramaturgia a quatro mãos, de Sérgio Maggio e Yuri Fidelis, tomou a liberdade que só a ficção permite, sem deixar, porém, de ter um pé firme na realidade de quem vive na aflita espera por uma adoção.

“Pesquisamos a realidade dos abrigos e fizemos uma espécie de laboratório de criação, primeiro num texto feito em parceria com o Yuri Fidelis e depois, na sala de ensaio, com a participação de cada um dos atores”, conta Maggio. Já na fase final dos ensaios, o grupo visitou um abrigo em Ceilândia, experiência impactante que acabou também interferindo no texto.

Antes de chegar ao Teatro Goldoni, À Margem do Abrigo tem apresentações em escola pública de Samambaia. Esse foi o modo escolhido para aproximar o público jovem das cidades, que tem pouco acesso aos espetáculos em geral concentrados no Plano Piloto, a uma dramaturgia cujo tema tem muito a dizer a quem está se preparando para a vida adulta. “Queremos ficar próximos do público-alvo, que são os jovens em situação de risco social, na faixa etária da saída do abrigo e que estão procurando seus próprios caminhos”, diz Maria Carmen.

“Gostaríamos que o metrô estivesse integrado ao teatro para trazer o público das cidades aos espetáculos no Plano Piloto. Daí porque escolhemos essa alternativa aos teatrões, para instigar novos  úblicos”.

SERVIÇO

À MARGEM DO ABRIGO

De Sérgio Maggio e Yuri Fidelis, com cenografia de Maria Carmen. Com Rodrigo Mármore, Micheli Santini e Pedro Mazzepas.

Teatro Goldoni de Brasília, 208/209 Sul, em frente à Estação do Metrô. De 7 a 22 de outubro. Sessões às sextas (menos na estreia, que será no  sábado) e aos sábados, às 21h, e aos domingos, às 20h.

Ingressos: Preço promocional de lançamento, nas duas primeiras sessões, em 7 e 8 de outubro: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Nos demais dias, R$ 30 e R$ 15. Não recomendado para menores de 12 anos.

As sessões de 7 e 8 de outubro serão inclusivas para pessoas com deficiência visual e auditiva.

Realização do NAC – Núcleo de Arte e Cultura com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura da Secretaria de Cultura do DF.

Fotos: Sérgio Marques

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