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“Mulheres empoderadas” discute o desvelamento da violência de gênero


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Escritoras Iara Lemos e Rejane Suxberger debatem as formas em que a violência se organizou para ser ocultada socialmente e como fazê-la vir à tona para combatê-la

Segunda é um bom dia para começar novos projetos. Que tal se o dessa semana for o combate à violência de gênero sistêmica no Brasil e no mundo? Um bom começo é acompanhar o bate-papo entre duas mulheres que publicaram livros dedicados a estes assuntos que será realizado pela BDB Cultural. A iniciativa recebe Iara Lemos e Rejane Suxberger para um debate no dia 14, às 19h, em suas redes sociais, como parte do projeto “Mulheres empoderadas”, que mensalmente coloca em foco as temáticas de gênero na programação. A mediação é da coordenadora de mídias digitais da BDB Cultural, Bruna Presmic.

Nesta edição, o desafio é falar sobre algo que muitos procuram esconder. “O que eu percebo é que as histórias de violência que acontecem ainda são um universo minimizado, do qual as pessoas não querem tomar conhecimento. O que ocorre na casa do outro ainda é visto como responsabilidade do outro, como se a casa fosse um universo impenetrável, com leis próprias. Meu trabalho foi sempre tentando mostrar que essas são histórias que precisam sair, precisam ser discutidas pela sociedade”, diz Rejane Suxberger.

Ela é autora de Invisíveis Marias, em que ficcionaliza histórias que conhece muito bem. Ela é juíza em uma vara dedicada à violência contra a mulher e já teve contatos com muitas dessas histórias e com os vários tipos de violência. “A violência que ocorre dentro de casa foi muito associada às marcas físicas. É muito comum eu ouvir de homens ‘eu nunca bati nela’. Ele nunca agrediu, mas há muitas formas de se violentar. Muito danosas, a violência física ela não começa sozinha, é um ciclo que passa pelo patrimonial, pelo psicológico, tudo conectado”, diz.

O caso do Haiti
As formas variadas e cruas com que a violência pode se apresentar socialmente é muito conhecida pela jornalista Iara Lemos. “Eu ouvi histórias de crianças em um estado tão absoluto de miséria que trocavam sexo por ter a possibilidade de tomar um banho quente, usar sabonete. São coisas para as quais nunca se está preparado”, diz. Ela foi ao Haiti investigar as intrincadas relações entre os governos locais e a Igreja Católica que permitiram o desenvolvimento de um esquema de pedofilia que tornou, como ela ouviu, o “Haiti como um depósito de padres pedófilos”.
“Romper a barreira do silêncio, do segredo, foi me maior desafio. Era uma investigação que envolvia questões de poder, de uma série de circunstâncias que tornavam possível que ações tão horríveis acontecem às vistas de muita gente, mas que continuassem invisibilizadas. E elas seguem longe do debate, muita gente se pergunta por que devemos nos preocupar com o que acontece no Haiti. Editores me disseram que ninguém compraria livros para saber disso. O problema está justamente nessa vontade de não ver o que nós já sabemos. Nesse momento há meninas menores de idade trocando sexo por comida e mesmo com tantas provas, com tantas evidências, o sistema coloca barreiras que nos impedem de agir se não for em conjunto, se não for nos chocando todas as vezes que ouvimos essas coisas em vez de normalizá-las”, diz.

Desmontando as defesas do indefensável

No início deste mês, tomaram as manchetes do jornalismo esportivo uma nova acusação de assédio contra o jogador de futebol Neymar. A ocasião é tomada pelas especialistas para tratar de uma defesa comum usada por homens quando são acusados de acosso sexual: questionar a demora que levou para a suposta vítima em fazer a denúncia.
“A violência é um segredo, é uma vergonha que a mulher carrega. Divulgar essa violência é muito difícil, principalmente porque muitas vítimas se responsabilizam pelo comportamento do agressor. É comum que elas tentem justificar a violência imputando a si a responsabilidade. Duvidar da palavra da vítima em razão da demora na denúncia torna-la vítima novamente”, aponta Rejane, no que é acompanhada por Iara.
“Eu não posso nem comparar um caso que acontece no Haiti com o caso que acontece com o Neymar, mas é interessante a gente ver como a deslegitimação da violência de gênero está em vários níveis. Claro, a classe econômica de uma pessoa é determinante para a repercussão que a violência contra ela terá, mas mesmo uma mulher como Luísa Brunet, rica, famosa, foi vítima de uma violência pública e que não foi devidamente punida. Acho que essa é uma das evidências de que a verdade se tornou um fato menor, de que o sofrimento do outro não nos afeta. É preciso lutar muito para resistir”, conclui ela.

 

Fonte: BDB Cultural

Foto: Wilson Lima

Por: Lilian Mendes
Data: 08/06/2021


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