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10.09.2019

MUSEU NACIONAL RECEBE EXPOSIÇÃO QUE RESSIGNIFICA A PRESENÇA NEGRA NO DF

Arquivo Público do DF MUSEU NACIONAL RECEBE EXPOSIÇÃO QUE RESSIGNIFICA A PRESENÇA NEGRA NO DF

Registros fotográficos pesquisados no Arquivo Público em esforço interdisciplinar da UnB produzem achados preciosos

Com o objetivo de ressaltar a importância das pessoas negras como sujeitos históricos que têm deixado suas marcas no Distrito Federal, o Museu Nacional da República recebe a exposição histórico-fotográfica “Reintegração de Posse: Narrativas da Presença Negra na História do Distrito Federal”, de 12 a 29 de setembro de 2019, com entrada franca.

A mostra foi construída coletivamente por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), entre estudantes e docentes das áreas de História, Letras, Arquitetura e Urbanismo e Comunicação a partir de pesquisa desenvolvida principalmente no acervo do Arquivo Público do DF. A mobilização foi uma iniciativa da professora Ana Flávia Magalhães Pinto, do Departamento de História, e teve origem em projetos de iniciação científica e extensão da UnB.

Segundo a docente, a exposição encara o desafio de articular os conhecimentos acadêmicos nos campos da História, Comunicação, Arquitetura e Urbanismo aos saberes do ativismo social para a eliminação do racismo. “A abordagem interdisciplinar é fundamental porque estamos lidando com um fenômeno complexo, com muitas camadas de narrativa”, defende Ana Flávia.

Os registros fotográficos selecionados para a exposição datam de 1956 a 1998 e chamam atenção para o lugar da população negra como maioria dos habitantes do DF. “A população do DF é formada por 57% de negros e é preciso refletir sobre as experiências dessas pessoas ao longo do tempo”, explicou historiadora, que se baseia em dados do IBGE atualizados pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan-DF).

Ainda de acordo com ela, a ação parte da perspectiva do conceito de “história pública”, que é pensada sobre a multiplicidade dos sujeitos envolvidos e legitimados a contribuir para a construção de registros historiográficos. “Trabalhamos com a chave dos estudos históricos da liberdade e do pós-abolição, sobretudo no que toca ao interesse pela reflexão sobre as trajetórias individuais e coletivas da gente negra e o enfrentamento ao racismo.”

A exposição histórico-fotográfica quer mostrar a presença de pessoas negras em Brasília para além da figura do “candango”, o personagem usual dos canteiros de obra e das narrativas sobre a capital. Para isso, apresenta esses e outros brasilienses em espaços sociais diversos, dando vida, cor e movimento à cidade. “Nossa proposta é falar da história negra no DF e lidar com os diversos aspectos da própria sociabilidade deste território”, revelou a historiadora.

A pesquisa problematiza o termo “candango”, expressão da língua banto, originária da África subsaariana, usada pelos escravizados para caracterizar de modo derrogatório o colonizador português, antes de se estabilizar no seu sentido corrente. Ana Flávia ressalta que em parte o termo “apaga a historicidade da presença negra na construção de Brasília”, o que a exposição expõe e critica.

O historiador Guilherme Lemos, que compõe a equipe, destaca achados importantes da pesquisa iconográfica no Arquivo Público. Cita registro da “Operação Retorno”, em abril de 1964, durante a ditadura militar, em que trabalhadores que se tornaram ociosos depois do término das obras da capital foram forçados para dentro de ônibus e mandados de volta a seus locais de origem, ou foram deixados pelo caminho, o que em certa medida gerou cidades como Taguatinga e Ceilândia.

“Na exposição traçamos paralelo entre isso e o que aconteceu na África do Sul, dentro do apartheid, mais ou menos na mesma época, em Johanesburgo e Cidade do Cabo”, explica Lemos.

O professor aponta também registros da ação militante do jornalista e escritor piauiense Júlio Romão da Silva no movimento negro do DF. “Ele era presidente da Associação Brasileira dos Municípios e estava articulado com lideranças como Abdias Nascimento e Solano Trindade”.

A exposição prevê oficinas e tour virtual pelos espaços de memória das histórias negras no DF e ainda visita guiada por monitores à exposição como parte da Semana de Extensão Universitária da UnB. “Apresentaremos à comunidade como os documentos foram selecionados para a mostra, quais as técnicas utilizadas e como articulamos isso com os conhecimentos históricos intersubjetivos da cidade através das entrevistas com pessoas negras que vivem em Brasília desde a construção”, explicou Lemos.

Os visitantes serão convidados a experienciar ambientes interativos, encontrando os caminhos percorridos por seus familiares até Brasília e, depois, as idas e vindas pelas 31 regiões administrativas do DF. “Houve pessoas que reencontraram familiares pelo contato com essa pesquisa”, conta Ana Flávia.

O público da exposição também será incentivado a colaborar com o que está nas imagens, em registros escritos e nos relatos de pessoas em diferentes contextos. “Trata-se de um convite ao diálogo com as histórias que elas próprias trazem ao sair de suas casas”, resume Ana Flávia Pinto.

As oficinas são abertas para o público, com inscrições em: http://www.dex.unb.br/a-semana-universitaria-2019. Depois de encerrada no Museu, parte da mostra retorna à UnB e haverá visitas a escolas públicas do DF para oficinas sobre o tema. Confira a programação a seguir.

Serviço

“Reintegração de Posse: Narrativas da Presença Negra na História do Distrito Federal”

Local: Museu Nacional da República, Conjunto Cultural da República

Data: de 12 a 29 de setembro de 2019 (Entrada gratuita).

Informações para a imprensa

Mara Karina Silva – (61) 9 9296.9522 (Whatsapp)

marakarinasilva@gmail.com

Visitas guiadas:

Sexta e sábado (13 e 14/9), das 9h às 18h30.

Domingo (15/9), das 09h às 15h.

Terça (17/9), 9h às 12h.

Quarta (18/9), das 9h às 18h30.

Quinta (19/9), das 9h às 15h.

Sexta e sábado (20 e 21/9), das 9h às 18h30.

Domingo (22/9), das 9h às 15h.

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