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24.10.2020

Neste sábado (24/10) é lembrado o Dia Mundial do Combate à Poliomielite

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Especialista explica o que é a doença, sintomas e como preveni-la

Você sabe o que é a poliomielite e o que pode provocar nas crianças? A médica da família e pediatra Milen Mercaldo explica. De acordo com ela, a doença, também conhecida como “paralisia infantil” é altamente infecciosa e causada pelo Poliovírus, que invade o sistema nervoso e pode acarretar um quadro clássico de paralisia de início súbito.

Ela acrescenta que a maior parte das infecções apresenta poucos sintomas (forma subclínica) ou nenhum e estes são parecidos com os de outras doenças virais ou semelhantes às infecções respiratórias como gripe – febre e dor de garganta – ou infecções gastrintestinais como náusea, vômito, constipação (prisão de ventre), dor abdominal e, raramente, diarreia. “Cerca de 1% dos infectados pelo vírus pode desenvolver a forma paralítica da doença, que pode causar sequelas permanentes, insuficiência respiratória e, em alguns casos, levar à morte”, pontua a especialista do Hospital Anchieta de Brasília.

Dra Milen continua: “em geral, a paralisia se manifesta nos membros inferiores de forma assimétrica, ou seja, ocorre apenas em um dos membros. As principais características são a perda da força muscular e dos reflexos, com manutenção da sensibilidade no membro atingido”, ressalta. “Embora ocorra com maior frequência em crianças menores de quatro anos, também pode acometer adultos”, complementa.

Forma de Transmissão
O vírus da poliomielite é transmitido por pessoa para pessoa, principalmente através da boca, com material contaminado com fezes (contato fecal-oral), o que é crítico quando as condições sanitárias e de higiene são inadequadas. “Crianças mais novas, que ainda não adquiriram completamente hábitos de higiene, correm maior risco de contrair a doença”, destaca. Conforme a pediatra, o Poliovírus também pode ser disseminado por contaminação da água e de alimentos por fezes. A doença também pode ser transmitida pela forma oral-oral, através de gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar.

Ela explica: o vírus se multiplica, inicialmente, nos locais por onde ele entra no organismo (boca, garganta e intestinos). Em seguida, vai para a corrente sanguínea e pode chegar até o sistema nervoso, dependendo da pessoa infectada. Desenvolvendo ou não sintomas, o indivíduo infectado elimina o vírus nas fezes, que pode ser adquirido por outras pessoas por via oral. A transmissão ocorre com mais frequência a partir de indivíduos sem sintomas.

Prevenção e Cobertura Vacinal
Dra Milen alerta que a poliomielite não tem cura e pode deixar sequelas permanentes. Segundo a profissional, a melhor maneira de prevenção é a vacina, mas a medida só é eficaz quando a cobertura vacinal alcança pelo menos 95%. Dados do Ministério da Saúde, mostraram que em 2019, a cobertura vacinal contra a poliomielite no DF, em menores de 2 anos, atingiu 89,2%. Este ano, até abril, apenas 69,8% das crianças foram vacinadas.

Ela aponta que o calendário de vacinas do SUS preconiza três doses da Vacina Inativada de Poliomielite, a VIP, com administração nas crianças aos 2, 4 e 6 meses e reforço com duas doses da Vacina Oral de Poliomielite, a VOP, aos 15 meses e 4 anos. “É considerado protegido, o indivíduo, maior de cinco anos, que tenha pelo menos cinco doses da vacina contra a doença. Também é necessário vacinar-se em todas as campanhas”, pondera.

Além das vacinas, é preciso atenção com medidas preventivas contra doenças transmitidas por contaminação fecal de água e alimentos. “As más condições habitacionais, a higiene pessoal precária e o elevado número de crianças numa mesma habitação também são fatores que favorecem a transmissão da poliomielite”, diz. “Logo, programas de saneamento básico são essenciais para a prevenção da doença”, adiciona a profissional.

“Ajude a manter nosso país livre da circulação do vírus e seu filho bem longe da doença! A campanha se estenderá até 30 de outubro, mantenha o cartão de vacinação da criança sempre em dia!”, conclui Milen Mercaldo, médica da família e pediatra do Hospital Anchieta de Brasília.

Fonte: Objetiva Assessoria
Foto: Ingrid Anne/Semcom

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