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19.01.2021

O Bruto do cerrado

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Olá queridos leitores.

Confesso que tenho ficado ansioso todas as terças-feiras para compartilhar com vocês um pouco mais sobre tudo que tenho aprendido e descoberto sobre o bioma. Nossa jornada pelo cerrado continua e hoje trarei uma fruta que desde criança ouço muito sobre ela e que possui um nome popular bastante peculiar. Estou falando o Araticum, também conhecida pelo escatológico nome de “bruto cagão” (por isso precisamos com urgentemente rebatizar vários frutos do cerrado com nomes mais adequados e convidativos, não acha?). Reforço que todos os frutos citados aqui, seus meses de colheita e características estão disponíveis no livro do Dr. Marcelo Kuhlmann, Guia de coleta.

O Araticum é um fruto bastante encorpado, de sabor forte e adocicado. Da mesma família da pinha ata, seu odor é marcante e a grande quantidade de nutrientes presentes no fruto são os responsáveis pelas prováveis aventuras sanitárias daqueles que comerem um fruto inteiro sozinho. O fruto amadurece de janeiro a maio e pode ser facilmente encontrado nativo nos parques de Brasília. Pessoalmente já vi árvores de araticum no parque da cidade e no parque do sudoeste.

De crescimento rápido, a maior defesa que esta incrível planta possui é sua resiliência. Na fazenda dos meus avós existem muitas árvores que resistiram ao pisotear constante do gado e o frequente roçado dos pastos e se apresentam prontas e combativas na manutenção do cerrado. Mesmo árvores pequenas são capazes de produzir frutos e assim dispersar as sementes. Não bastasse sua notável fertilidade, brotos novos saem do chão e multiplicam os galhos da planta principal.

Uma das características mais marcantes para quem tiver contato com a planta é a espessura das pétalas de suas flores. Enquanto uma flor como as rosas possuem pétalas pouco mais espeças que uma folha de papel, as pétalas da flor do Araticum são grossas como um papelão (aproximadamente 5 mm) e bastante firmes. Essa robustez torna a polinização praticamente impossível para as tradicionais jardineiras como abelhas e vespas, e necessitam de um polinizador um tanto mais ogro para realizar o trabalho.

Para essa tarefa árdua entra em cena um ator que muitos nem sabiam da sua habilidade na polinização, mas que para o Araticum é fundamental. Esse incomum trabalhador é o besouro, que, com sua grande força e tração é capaz de afastaras pétalas e chegar no meio da flor, onde está o pólen.

Sua aplicação na gastronomia ainda está limitada ao uso em sucos, geleias e doces, além de tímidas experiências em licores. Quero reforçar aqui que não estou desmerecendo as receitas citas acima, muito pelo contrário, se encaixam muito bem e cumprem seu propósito com extrema competência (principalmente nos licores) para conquistar o paladar de quem os provar, mas certamente temos um leque de aplicações que podem ir desde emulsões para um creme, molhos para proteínas mais fortes como carnes de caça e defumados, além de folhas secas de sua polpa. Por sua caraterística adocicada é mais um dos frutos do cerrado que precisa ser domado antes de aplicarmos em receitas. Como seu sabor e aroma são muito concentrados, pouca quantidade já é suficiente para perfumar e se fazer perceptível na maioria dos pratos.

Você conhece alguma outra receita que use o araticum? Já comeu alguma vez o fruto in natura? Compartilhe conosco em nossas redes sociais e vamos tornar o uso dessas nossas riquezas mais frequentes no dia a dia. Aprendi que só há preservação daquilo que conhecemos, por isso é importante divulgar e experimentar, para que haja cada vez mais demanda dos frutos do cerrado nos mercados e com isso, principalmente os produtores da agricultura familiar poderão se beneficiar, gerando o ciclo virtuoso perene.

Provem, divulguem e se orgulhem porquê temos possibilidades quase ilimitadas, sabores preciosos e únicos que servem como um marco da nossa gastronomia brasileira e devem ser conhecidos e multiplicados para que o mundo conheça e as futuras gerações preservem.

Um grande abraço e até a próxima terça, aqui no Visite Brasília.

Fotos: Portal da Embrapa

O lado rosa da força

 


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