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12.08.2020

Ômega-3 e efeito anti-inflamatório em infecção por zika vírus

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Foto: Audrey Luiza/Secom UnB

O Laboratório de Imunologia e Inflamação da Universidade de Brasília (LIMI/UnB) desenvolveu um importante estudo que foi publicado, em 2019, na revista Scientific Reports da Nature1.

Linguagem científica: A pesquisa identificou que o uso de ácido docosa-hexaenoico (DHA), in vitro2, protege as células neurais em infecção por zika vírus, induzindo uma resposta anti-inflamatória, aumentando a viabilidade celular e diminuindo a carga viral.

Pareceu complexo né?

Mas não precisa ser. Vou destrinchar o assunto passo a passo com vocês…

O zika vírus3, descoberto em 1947, em Uganda, pertence ao gênero4 Flavivirus e é transmitido por mosquitos do gênero Aedes. O representante mais popular desse grupo de insetos é o Aedes aegypti, conhecido, também, pela transmissão de outras doenças como febre amarela, dengue e chikungunya.

A infecção por zika vírus está, geralmente, associada a problemas neurológicos e a doenças congênitas5, como a microcefalia6 (lembram disso nos jornais, né?). O fato dos principais efeitos da doença acometerem funções e estruturas do cérebro está associado ao tropismo desse vírus pelo Sistema Nervoso8. Vale lembrar que, nesse caso, o tropismo corresponderia à tendência desse vírus em infectar células ou tecidos neurais.

Já o DHA, com seu nome extremamente longo, é um tipo de gordura, conhecido como ômega-3, que pode ser encontrada em óleos obtidos de alguns tipos de alimentos e organismos. Esse composto é abundante nas células do cérebro e tem esse “jeitão” aí abaixo:omega Ômega 3 e efeito anti inflamatório em infecção por zika vírusFigura 1. Estrutura simplificada do DHA.

(fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Docosahexaenoic_acid acesso em 3/08/2020 – adaptado).

Olha… não sei o que é mais bonito, o nome ou a imagem. Mas não coloquei a Figura 1 só para admirar a sua beleza. Na verdade, ela está aqui para ressaltar que os ácidos graxos (tipo de gordura) classificados como ômega-3 possuem essa parte circulada em comum. Isso quer dizer que existem alguns tipos de ômega-3 diferentes, já que algumas outras partes da cadeia podem variar.

O que os pesquisadores observaram?

As células foram tratadas com o DHA e, em seguida, infectadas com o vírus. Os experimentos mostraram uma proteção contra a morte celular e, também, uma proteção das mitocôndrias10 (estruturas geradoras de energia), preservando sua quantidade e função. Além disso, os pesquisadores observaram uma resposta anti-inflamatória, bem como uma redução da carga viral e da infectividade do vírus.

Ok, mas o que isso quer dizer?

Isso significa que, após o contato com o DHA, mais células se mantiveram vivas, mesmo com a infecção. Além disso, a inflamação foi reduzida e as tais mitocôndrias foram protegidas, resultando em menos danos às células. A quantidade de partículas virais e a capacidade delas de infectar as células também foram diminuídas. A pesquisa ainda mostrou vários outros resultados, mas todos apontam para essa capacidade do DHA de proteger essas células contra os danos causados pelo vírus.

Dessa forma, o estudo mostrou o potencial do DHA para futuros tratamentos de zika vírus, embora outros estudos ainda sejam necessários. Esse trabalho foi inovador por usar o DHA, já conhecido e usado em estudos de doenças neurodegenerativas, em uma doença viral, obtendo resultados promissores!

Com grandes informações, vêm grandes responsabilidades:

A concentração de DHA usada na pesquisa foi diferente da concentração normalmente utilizada em cápsulas de uso comercial, então esses efeitos ainda não foram comprovados para a ingestão desses produtos!

Sobre a pesquisadora:

A Heloísa Antoniella, primeira autora do trabalho, desenvolveu o projeto, sob a orientação da professora Kelly Magalhães, ainda durante sua graduação em Biotecnologia. Agora, dará continuidade aos trabalhos em seu mestrado no programa de Patologia Molecular. A pesquisadora ressaltou em seu relato que a colaboração dos outros pesquisadores do laboratório foi essencial para a realização do trabalho. O grupo contou, ainda, com o financiamento da Capes e do CNPq que viabilizou o desenvolvimento da pesquisa.

Muito legal, né? Gostaram da notícia?

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julianamcarvalho.vbc@gmail.com

Juliana Carvalho.

  1. Scientific Reports da Nature: revista científica conceituada, na classificação Qualis Capes, como A1 (excelência internacional)
  2. in vitro: tipo de estudo realizado com células cultivadas em laboratório, ou seja, fora de qualquer organismo.
  3. vírus: [simplificado] agente infeccioso dependente de uma célula hospedeira para produzir novas “cópias” de si mesmo.
  4. gênero: [taxonomia] refere-se à classificação de um conjunto de espécies com características comuns entre si
  5. doenças congênitas: [simplificado] doenças presentes antes ou no momento do nascimento. Elas não têm cura e podem ser genéticas ou não.
  6. microcefalia: anomalia congênita ou adquirida, na qual o indivíduo apresenta o tamanho da cabeça menor do que o comum [dentro de alguns parâmetros específicos], podendo apresentar alterações nas funções neurológicas.
  7. Sistema Nervoso: células, tecidos e órgãos que atuam conjuntamente para transmissão de sinais. Coordena as informações sensoriais, além das ações voluntárias e involuntárias.
  8. mitocôndrias: estruturas [organelas] presentes em células [eucariontes], responsáveis pela produção de energia [respiração celular], para que a célula possa realizar suas outras funções.

Texto baseado em informações fornecidas em relato da pesquisadora Heloísa Antoniella, em informações contidas no artigo mencionado e na notícia elaborada pelo Secom/UnB, além de pesquisas complementares.

Instagram LIMI/UnB: @limiunb

Notícia Secom/UnB:

https://www.unbciencia.unb.br/biologicas/104-ciencias-biologicas/638-omega-3-pode-ser-arma-contra-zika

Acesso ao artigo original:

https://www.nature.com/articles/s41598-019-56556-y

Foto Destaque: Robson Moura/TV Brasil

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