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Pioneira do sabor, a Vila Planalto é conhecida como polo gastronômico


Reportagem: Brenda Freitas, Flávia Lima e Giovanna Ribeiro

Não é novidade para os brasilienses que a Vila Planalto tem um disputado polo gastronômico, frequentado, em sua maioria, por funcionários públicos que trabalham na Esplanada dos Ministérios e são atraídos diariamente aos restaurantes da região.

Como o da Tia Zélia, que instala suas mesas sob o belo céu de Brasília. A pioneira, Maria de Jesus Oliveira da Costa, conhecida como Tia Zélia, 66 anos, é baiana do município da Barra do Rio Preto e cresceu na roça, onde viveu até os 18 anos e hoje é uma das cozinheiras mais famosas da Vila.

“Graças a Deus tenho um grande carinho pela Vila Planalto, onde eu construí a minha vida, onde eu criei os meus filhos, pra mim é um lugarzinho do céu, porque foi aqui onde minha vida tudo mudou”, conta a cozinheira.

Ao chegar em Brasília com os filhos, em 1976, foi empregada doméstica e trabalhou como vendedora de bolos e salgados. A oportunidade de trabalho dentro de uma cozinha chegou em 1991, quando começou a cozinhar para autoridades da política nacional.

Depois de trabalhar por sete anos, Maria da Costa começou a cozinhar em um trailer juntamente com o irmão, em um terreno na Vila Planalto. Foi nesse período que ganhou o apelido “Tia” e a “Zélia” veio por parte da mãe, que a chamava dessa forma.

Em 1997, conseguiu montar o restaurante de comida caseira, na própria casa. Zélia ainda não parou para calcular quantos clientes passam por ali, mas ressalta que o local fica sempre cheio.

“Quando eu resolvi trabalhar para mim, eu sempre tive fé que daria certo, eu tinha o meu barraquinho, graças a Deus mudou muito, eu tinha umas panelinhas, um fogãozinho, quatro pratos e daí eu comecei”, relata.

Mais do que carinho com os clientes, Tia Zélia vê o negócio como uma família. Além das receitas nordestinas servidas durante o almoço, a cozinha é palco de preparo para diversas outras iguarias.

“Aqui tudo que eu faço eles gostam. Mas o prato arrochado mesmo é a feijoada, rabada e pernil. Porque a minha feijoada é diferente, é comida de casa, então minha feijoada é muito famosa. É assim que o povo diz, né, quem sou eu, sou só suspeita para falar…”.

A aposentada Alzimar Ramalho, 57 anos, moradora do Plano Piloto há 10 anos, é paulistana e frequentadora assídua dos restaurantes da Vila.

“Já frequentei o restaurante da Tia Zélia, entre outros, onde se come uma boa comida, porque o clima e o ambiente também contribuem para esse prazer, não é só o prazer da comida, mas é o prazer da história da Vila Planalto, o prazer do lugar”, destaca.

%name Pioneira do sabor, a Vila Planalto é conhecida como polo gastronômicoRestaurante Tia Zélia, localizado no Acamp. Pacheco Fernandes Rua Maranhão. (Foto: Divulgação)

São 63 anos de história da Vila Planalto. Ao passar do tempo, as casas de alvenaria ganharam mais espaço, mas ainda há aquelas que mantêm as características originais. É o caso do espaço onde vive a cozinheira Helena Maria Alves, 64 anos, que chegou à Vila Planalto em 1985 com os seus quatro filhos pequenos, após separação do ex-marido. A goiana passou a morar em uma casa de madeira da década de 1950 onde está até hoje, reformada, mas mantendo suas características originais.

O imóvel fica no acampamento EBE, em frente à entrada do Clube da Aeronáutica. O acampamento servia de abrigo para os engenheiros na época da construção de Brasília. Os imóveis vizinhos, iguais ao da Helena, foram derrubados e erguidos com outros materiais. Para ela há um apego de preservar a casa em um bairro de Patrimônio Histórico do DF.

Dona Helena começou a trabalhar na área gastronômica em 1987, vendendo biscoitos. Em 2001, ela foi trabalhar servindo refeições e café da manhã em uma empresa. Em 2007, decidiu vender marmitas. Em 2018 abriu o restaurante Quintal da Vila na área externa da casa, que conta com uma varanda, pula-pula para a criançada e bancos de madeira.

No quintal há uma grande horta com vegetais orgânicos que são colhidos para a preparação da comida. O cardápio tem uma variedade de opções. “É uma comida caseira, tem um bife, tem o peito de frango, tem uma rabada as quintas-feiras, nas sextas e no sábado é feijoada. Tem galinhada, carne de lata, então é uma coisa mais do interior”, conta orgulhosa.

Restaurante Quintal da Vila localizado no Acamp. EBE Rua B. Foto DivulgaçãoW Pioneira do sabor, a Vila Planalto é conhecida como polo gastronômicoRestaurante Quintal da Vila, localizado no Acamp. EBE Rua B. (Foto: Divulgação)

Falando em interior, o restaurante Fogão de Pedra, inaugurado em 1996, serve comida mineira feita realmente neste tipo de fogão. E, nas contas dos proprietários Elba Ferreira e Edley Ferreira, é um dos primeiros restaurantes da Vila Planalto.

Seu Edley, 57 anos, morador da Vila Planalto desde o nascimento conta que seu pai, um dos pioneiros, Denizat Rivaiu, veio para Brasília em 1958. “A casa atualmente onde moro é no mesmo local aonde meu pai morou por todo esse tempo, e o restaurante é o lote que recebi como filho de pioneiro”, disse.

Já a Dona Elba veio de Tocantins em 1988 para trabalhar em uma construtora. Recém chegada, casaram-se logo depois. Com clientela fixa, quase todas as mesas ficam ocupadas na hora do almoço. “Nossa freguesia é fiel por funcionários públicos e o cardápio é composto por uma variedade diária de 120 opções incluindo churrasco na brasa”, comenta a proprietária.

O músico e professor Carlos Henrique Gonçalves Barros, conhecido como Kaká Barros, de 48 anos, é morador da Vila desde que nasceu, um apaixonado pela gastronomia, conhece cada ponto gastronômico do bairro. “O diferencial maior da comida que tem aqui na Vila Planalto eu acho que é o fato de ser caseira, é feita com carinho, é diferente, sabe? Porque eu conheço vários e por eu ser morador da Vila desde que nasci, o gostinho de comidinha de casa nunca deixou de existir. O Fogão de Pedra é o que eu mais frequento”, afirma.

%name Pioneira do sabor, a Vila Planalto é conhecida como polo gastronômicoRestaurante Fogão de Pedra, localizado no Acamp. Rabêlo Rua da Praça. (Foto: Divulgação)
Reportagem de Brenda Freitas, Flávia Lima e Giovanna Ribeiro.
Trabalho desenvolvido na disciplina Laboratório de Jornalismo II, do curso de Jornalismo do IESB, sob supervisão da profa. Luciane Agnez.

Por: visitebrasilia
Data: 03/03/2021


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