EnglishJapanesePortugueseSpanish

Projetos Científicos do IFB valorizam o Dia do Cerrado (11.09)


IMG 20210908 WA0080 Projetos Científicos do IFB valorizam o Dia do Cerrado (11.09)

Durante o mês de setembro, é comemorado o Dia do Cerrado, mais precisamente no dia 11/09, e esse importante ecossistema tem vários projetos de pesquisa em desenvolvimento no Instituto Federal de Brasília. As iniciativas encontradas estão em grande parte no IFB/ Campus Planaltina e envolvem ações que vão desde as atividades de educação ambiental até projetos de extensão compartilhados com a comunidade.

Vale conhecer algumas produções científicas e resultados de pesquisadores e estudantes do IFB, como o lançamento do livro “Sistemas Silvipastoris com Árvores Nativas no Cerrado”; o projeto “Potencial do estrato arbóreo-arbustivo de Cerrado Sensu Stricto para fins medicinais”; o projeto “Sementes do Cerrado e Corredor Agroflorestal”; o projeto de extensão no IFB “Jardim Cerratense como instrumento de Educação Ambiental”; o projeto de “Restauração para áreas de cerrado típico” e; o projeto de “Análise Quantitativa da Decomposição de Serapilheira em diferentes fitofisionomias do Cerrado”.

Lançamento do livro “Sistemas Silvipastoris com Árvores Nativas no Cerrado”

A primeira novidade é o lançamento do livro “Sistemas Silvipastoris com Árvores Nativas no Cerrado”, de autoria da professora do IFB Elisa Bruziguessi com demais pesquisadores, recentemente publicado pela Editora do IEB (Instituto Internacional de Educação do Brasil) para apoiar o trabalho de agricultores, pecuaristas e extensionistas rurais e como material pedagógico para escolas e professores de todo o país.

Já pensou em restaurar áreas com aroeira, baru, copaíba, pequi e tantas outras espécies nativas do Cerrado? É o que traz a publicação “Sistemas Silvipastoris com Árvores Nativas do Cerrado”, com 23 espécies de árvores frequentes nas pastagens do Cerrado, além das suas características.

IMG 20210908 WA0035 Projetos Científicos do IFB valorizam o Dia do Cerrado (11.09)

“Os Sistemas Silvipastoris combinam silvicultura e pecuária para gerar produção complementar e interação positiva entre árvores, capim e gado. No Cerrado, são encontradas alta regeneração e diversidade de árvores nativas em pastagens. O livro traz caminhos para a implantação de Sistemas Silvipastoris com árvores nativas no Cerrado: sua definição, importância, experiências em andamento, métodos de cultivo, incentivos e oportunidades”, explica a professora do IFB e doutora em Ciências Florestais Elisa Pereira Bruziguessi. Para quem tiver interesse e já quiser conhecer o conteúdo, o livro pode ser baixado gratuitamente em formato pdf  pelo link disponível aqui. O livro também já foi impresso, e seus exemplares serão distribuídos para bibliotecas e instituições de todo o Brasil que trabalham na área.

Projeto Potencial do estrato arbóreo-arbustivo de Cerrado Sensu Stricto para fins medicinais

A estrutura do Cerrado se apresenta como um mosaico florístico formado por fitofisionomias que vão de formações florestais “(Mata Ciliar, Mata de Galeria)”, Savânicas “(Denso, Típico, Ralo e Rupestre)”, e Campestre “(Campo Sujo, Campo Rupestre e Campo Limpo)” (Borghetti et al., 2019). Neste contexto, o cerrado sensu stricto abrange as fitofisionomias de cerrado denso, cerrado típico, cerrado ralo e cerrado rupestre e é caracterizado pela presença de árvores baixas, inclinadas, tortuosas, com ramificações irregulares e retorcidas, e geralmente com evidências de queimadas.  Esta e outras referenciais podem ser visitadas no artigo sobre o projeto “Potencial do estrato arbóreo-arbustivo de Cerrado Sensu Stricto para fins medicinais” desenvolvido pelo professor do IFB/ Campus Planaltina, Ilvan Medeiros Lustosa Junior e pelo egresso e ex-estudante Getúlio Paiva, do curso de Agroecologia.

Diante desse vasto cenário florístico, o professor Ilvan propõe identificar dentre o rol de espécies identificadas que compõem este bioma a discussão acerca dos usos e indicações terapêuticas de plantas que possuem em sua formulação alguma propriedade medicinal, já disseminada e popularmente usada para combater uma ou mais patologias.

As atividades de pesquisa de campo têm acontecido no Campus Planaltina, especificamente, na área do Parque Distrital Colégio Agrícola de Brasília, a área de estudo caracteriza-se como de vegetação predominantemente de cerrado sensu stricto, muito embora haja a presença de demais formações vegetacionais e outras fitofisionomias, com aproximadamente 1.039,63 hectares.

“Foram feitas instalações para a pesquisa e levantamento florístico e fitossociológico da amostra mapeada no parque. Entre as principais espécies com  potencial fitoterápico identificadas, conforme o Índice de Valor de Importância (IVI) estão as espécies Eugenia dysenterica, Qualea grandiflora, Kielmeyera coriacea, Piptocarpha rotundifolia, Qualea parviflora, entre outras. Ao todo dez espécies foram identificadas por uma equipe de estudantes do IFB e, em um segundo momento, realizada busca de material bibliográfico comparativo para melhor compreensão sobre esse potencial já mapeado”, explica o professor.

A metodologia para o projeto de campo incluiu a divisão de dez parcelas do espaço geográfico e, nelas foram feitas marcações  para medições das árvores encontradas no local.

IMG 20210908 WA0085 Projetos Científicos do IFB valorizam o Dia do Cerrado (11.09)

Ainda no artigo publicado sobre o projeto:

“Define-se como planta medicinal o vegetal que tem seu princípio ativo evidenciado farmacologicamente e incluso na farmacopeia (Lorenzi & Matos, 2008). De acordo com Rodrigues (2010), o conceito de plantas medicinais está relacionado à presença de substâncias bioativas e com propriedades terapêuticas, profiláticas que melhoram a qualidade de vida. Não obstante, a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2021) define que as plantas medicinais são todas aquelas que contêm em um ou mais de seus órgãos substâncias que podem ser utilizadas com propósitos terapêuticos ou que sejam precursoras de semisíntese químico-farmacêutica.”

Conheça as dez espécies nativas encontradas no IFB/ Campus Planaltina e seus fins terapêuticos:

Eugenia dysenterica DC. Cagaita / Arbóreo 

Casca, Frutos e Folhas Casca e folhas possuem ação antidiarreica, cicatrizante, antioxidante, moluscicida. Apresenta potencial antibacteriano e antifúngico (Silva Junior, 2012; Pereira & Cunha, 2015; Queiroz, 2015; Silva; Rabelo & Enoque, 2015).

Qualea grandiflora Mart. Pau-terra / Arbóreo 

Folhas e Cascas As cascas são antissépticas. As folhas são indicadas para tratar diarreias com sangue, cólicas intestinais, dores estomacais, amebíase e inflamações em geral (Aguiar & Barros 2012; Silva Junior, 2012; Silva; Rabelo & Enoque, 2015).

 Kielmeyera coriacea Mart. Pau-santo / Arbóreo 

Folhas e Cascas Emoliente. A casca é considerada tônica e emoliente, sendo utilizada para tratar dores de dente. As folhas possuem propriedades emolientes (Silva Junior, 2012; Silva; Rabelo & Enoque, 2015).

Piptocarpha rotundifolia (Less.) Baker Cinzeiro / Arbóreo 

Flores e Folhas As folhas e flores são usadas como enérgicos, e também, como antisséptico, anti-inflamatório e antidiarreico (Silva, Rabelo; Enoque, 2015).

Qualea parviflora Mart. Pau-terrinha / Arbóreo

Folhas e entrecasca As cascas e as folhas são utilizadas para tratamento de gastrite (Silva; Rabelo & Enoque, 2015; Vieira et al., 2015).

 Xylopia aromática (Lam.) Pimenta-demacaco / Arbóreo 

Frutos, folhas e casca A casca do caule é utilizada como anti-inflamatório e trata problemas digestivos. Apresenta propriedades afrodisíacas, tônico, vermífugo, febrífugo entre outras (Silva Junior, 2012; Silva; Rabelo & Enoque, 2015; Brandão, 2019).

Stryphnodendron adstringes (Mart.)

Coville Barbatimão / Arbóreo 

Casca, folhas e raiz É indicado no tratamento de hemorragias, diarreia, hemorroidas, para limpeza de ferimentos e chá da raiz na forma de gotas contra conjuntivite, prevenir queimaduras resultantes da radioterapia, antifúngico para tratar candidíase. Acne e manchas de pele e calvície na fitocosmética (Aguiar & Barros, 2012; Silva Junior, 2012; Oliveira et al., 2012; Pereira & Cunha, 2015; Alonso, 2016).

Miconia burchellii Triana Pixirica / Arbusto 

Folhas Citotóxica para células tumorais (Cunha et al., 2021).

Caryocar brasiliense Cambess. Pequi / Arbóreo 

Cascas, folhas e fruto A casca e as folhas são adstringentes. O óleo da castanha e os caroços são utilizados para tratar asma, bronquite, coqueluche e resfriados. Os caroços são considerados tônicos e afrodisíacos. As folhas são adstringentes e estimulam a secreção da bile. Regulador de fluxo menstrual (Silva; Rabelo & Enoque, 2015).

Byrsonima crassifolia (L.) Kunth Murici / Arbusto 

Folha, Frutos e Casca, raiz Alto teor de carotenoides, atividade antioxidante e antifúngica e antidepressiva (Herrera-Ruiz et al., 2011; Brandão, 2019).

Projeto Sementes do Cerrado e Corredor Agroflorestal 

O projeto de Sementes do Cerrado já acontece no IFB Campus Planaltina desde 2019 e, ainda neste mês, será revitalizado um mural expositor com grande diversidade de sementes do Cerrado pelos professores Elisa Bruziguessi e Igor Oliveira.  O projeto envolve a divulgação e valorização das sementes de árvores e arbustos do Cerrado e faz a promoção aos alunos e agricultores desse ecossistema.

“São ricos os momentos de troca de sementes junto com estudantes e agricultores antes dos plantios de restauração do Cerrado e de formação de sistemas agroflorestais que incluem a biodiversidade do Cerrado”, conta a professora que organiza essas trocas.

Foi desenvolvido um corredor agroflorestal onde já foram plantadas mais de 70 espécies de árvores e arbustos, dentre elas a maioria nativa do Cerrado. A ideia é realizar mutirões para o plantio e manejo desse corredor agroflorestal para que seja possível fazer uma conexão na paisagem ligando os sistemas produtivos e as áreas remanescentes ainda conservadas.

O trabalho foi apresentado no VIII Congresso Latino-Americano de Agroecologia em 2020, e alguns resultados científicos foram mencionados.

  • Uma grande densidade e diversidade de plântulas se estabeleceram; há muitas possibilidades de manejo (podas, desbastes) para delinear o futuro desse corredor com inspiração nos princípios da abundância, diversidade, estratificação e sucessão natural.
  • Esse corredor agroflorestal biodiverso com espécies nativas do Cerrado constitui-se uma rica área experimental e didática que nasceu da prática integrada do ensino, pesquisa e extensão.
  • A intenção do trabalho é aperfeiçoar e divulgar a semeadura direta como forma eficiente de plantio e mostrar aos agricultores possibilidades de conciliar produção e conservação.

Atualmente, o estudante do IFB do Curso de Tecnologia em Agroecologia Jerônimo Kindler é bolsista de PIBIC com projetos de pesquisa nessa área, trabalha no acompanhamento e manuseio do corredor agroflorestal com espécies do Cerrado, que já completou dois anos, e conta com o consórcio de espécies agrícolas como as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs). O espaço tornou-se referência para novas pesquisas. No projeto ainda participam os professores Paulo Cabral e a professora Paula Petracco.

Projeto de extensão no IFB “Jardim Cerratense como instrumento de Educação Ambiental”

A professora Diane Ivanise Fiamoncini, docente da Licenciatura em Biologia e do curso de Agroecologia do IFB Campus Planaltina, juntamente com as  professoras Edilene Marchi e Viviane Evangelista vão iniciar no próximo semestre, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), o projeto Jardim Cerratense como instrumento de Educação Ambiental no campus. A ideia é convidar a comunidade acadêmica e outras escolas de ensino para conhecer o espaço, que vai abrigar espécies nativas herbáceas, gramíneas e arbustivas das formações savânicas e campestres do Cerrado, incluindo o cajuzinho do cerrado, Caliandra, dentre outros exemplos que representam a diversidade do bioma.

A principal ideia do projeto é apresentar o jardim cerratense, por meio de projeto de design gráfico e de arquitetura, como espaço de consciência ambiental para os estudantes das escolas públicas de Planaltina e para a comunidade interna do campus.  Também será realizada como recepção de “boas-vindas” aos estudantes do IFB para que conheçam a ideia dos jardins naturalistas e cerratenses, como instrumento de educação ambiental para o conhecimento e a preservação de espécies nativas do Bioma Cerrado.

“Vamos visitar escolas da Rede Pública para fazer esse convite. Esperamos que outros alunos possam conhecer e se interessar mais sobre a diversidade do Cerrado e aperfeiçoar conhecimentos na área de Educação Ambiental”, conta animada a professora.

Além disso, a professora Diane reforça que é necessário divulgar o conceito de que a estética do cerrado pode ser inserida em jardins, pelas qualidades de beleza que apresentam e como instrumento de preservação da flora e da fauna local.

Os estudantes do IFB Willian Jeferson, de Agroecologia, Sarah Oliveira e Lucas Bombardi, da Licenciatura em Biologia, e o estudante Cleiton Silva, do curso de Arquitetura da UnB, vão trabalhar diretamente com o projeto. William, mais conhecido como Biro Biro, já faz o acompanhamento do Jardim Louise Ribeiro, na Universidade de Brasília (UnB), e o manuseio de outros jardins do cerrado na cidade.

O mais novo “Jardim do Cerrado” estará localizado no IFB Campus Planaltina e será mais um espaço de reconhecimento das plantas nativas do Cerrado. Demais informações para agendamento de visitas e horários serão divulgados em breve.

Projeto de Restauração para áreas de cerrado típico

Considerando que o bioma Cerrado carece de informações técnicas sobre possíveis retornos econômicos e sobre o significado ecológico da restauração de ambientes savânicos e campestres, a professora Viviane Evangelista, docente do curso de Agroecologia do IFB, vem construindo saberes e se dedicando à temática juntamente com parceiros como Embrapa e a organização WWF.

Nos últimos dias, foi realizado o evento “Restauração Ecológica do Cerrado: um olhar para o Sistema Agrocerratenses”, apoiado pelo Instituto Federal de Brasília sobre a preservação do Cerrado e o levantamento de informações sobre a temática. “Há muito ainda a se conhecer sobre o Cerrado, mas durante os dois dias de evento foi possível compreender algumas possíveis alternativas para a recomposição de *áreas de reserva legal*. Entre alguns pontos estudados estão o estabelecimento das relações entre os sistemas agroflorestais, agrosavânicos  e agrocampestres”, contou a pesquisadora.

O evento, em formato on-line, reuniu pesquisadores ambientais de todo o país para diálogo e estudo sobre o ecossistema, além da observação do Sistema Agrocerratense, voltado inclusive a aspectos de retornos econômicos, e sobre sua contribuição na restauração de ambientes *savânicos e campestres*.  Em outras ocasiões, a professora Viviane também ministrou disciplinas no curso de Agroecologia, com ênfase na construção de princípios e conceitos sobre sistemas agrocerratense pelo método de diagnósticos rurais participativos.

Projeto Análise Quantitativa da Decomposição de Serapilheira em diferentes fitofisionomias do Cerrado

Outro projeto do Curso Superior de Tecnologia em Agroecologia do IFB/Campus Planaltina é a “Análise Quantitativa da Decomposição de Serapilheira em diferentes fitofisionomias do Cerrado” que pretende entender a funcionalidade ecossistêmica do Cerrado para fins de conservação e práticas de recuperação de paisagens similares.

Mais uma iniciativa do professor Ilvan Medeiros Lustosa Junior, que estuda a dinâmica da decomposição de serapilheira apresenta elevada influência na manutenção da produtividade vegetal, tanto em plantios comerciais quanto em vegetações naturais de ecossistemas tropicais e desempenha um papel fundamental na ciclagem de nutrientes.

“Esse material pode se apresentar como um importante indicador no monitoramento do processo de restauração ecológica. O conhecimento da dinâmica de decomposição da serapilheira em diferentes fitofisionomias pode contribuir com modelos de indicadores ambientais para o Cerrado como, por exemplo, para implantação de futuros projetos de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas neste bioma”, explica o professor.

A pesquisa teve como desígnio determinar a quantidade de serapilheira decomposta em três fisionomias do cerrado, como Mata de Galeria; Cerrado Sensu Stricto e Cerradão, na área de conservação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília – IFB, Campus Planaltina. Contudo, o trabalho é uma parceria entre o professor do IFB, o estudante Leonardo Guedes, que concluiu o curso de Agroecologia, a Universidade de Brasília (UnB) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq.

Outras informações em www.ifb.edu.br

Crédito de imagens: Acervo IFB

Por: visitebrasilia
Data: 10/09/2021


Fechar

Enviar email

Que tal ter acesso rápido e fácil ao seu roteiro de onde estiver?
Envie por e-mail, compartilhe com amigos, e divirta-se em BSB!!!

Fechar

Criar novo roteiro

Fechar

Editar Roteiro

Fechar

Esqueci minha senha

Fechar

Aviso

Solicitação enviada com sucesso!