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05.07.2019

PUREZA – A PRODUÇÃO QUE QUASE NÃO COMEÇOU

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Autor: MARCUS LIGOCKI JR

Pureza, ah Pureza… Há quase dez anos fui convidado pelo diretor Renato Barbieri para produzir uma história que havia sido apresentada a ele pelo fotógrafo Hugo Santarém.

Tratava-se da história de uma mãe do interior da Amazônia que teve seu filho desaparecido e que, no esforço solitário de encontra-lo, revelou o trabalho escravo contemporâneo para o Brasil. Fiquei muito impactado pela história e carreguei ela dentro de mim por vários meses até que as condições se apresentassem para que pudesse me comprometer com a produção. Mal sabia eu que o projeto levaria 8 anos para reunir os recursos necessários e que às vésperas do primeiro dia de filmagem, chegaria tão perto de perder tudo.

Para a realização de “Pureza”, reunimos uma equipe de muitos talentos comprometidos com o filme e com a perspectiva de contar para o mundo uma história forte e relevante.

Depois de 7 semanas de pré-produção em Marabá – PA, cidade onde ocorreriam as primeiras semanas de filmagem, já estávamos com a equipe reunida, com quase 80 pessoas vindas principalmente de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Belém e Marabá, quando nos deparamos frente a frente com a greve dos caminhoneiros.

Nossos equipamentos, com mais de 20 toneladas, precisariam sair de São Paulo e chegar em Marabá até o dia 04 de junho de 2018, mas as estradas estavam bloqueadas e nenhum caminhão passava sem o risco de morte de seu motorista.

A greve, que já tinha tido seu fim anunciado, na prática ainda mantinha os caminhoneiros bloqueando as estradas, pois sua estrutura era descentralizada e suas lideranças não se entendiam.

Para nós, o risco era gigantesco. Já haviam sido investidos R$ 1,2 milhões na preparação das filmagens e, se elas não acontecessem perderíamos tudo. Além disso, cada dia de filmagem perdido, representaria R$ 100 mil reais em prejuízos. Era isto que estava em jogo. Nossa equipe inteira estava reunida em Marabá sem saber se começaríamos a filmar no dia 04 e os caminhoneiros não davam sinal de que cederiam.

Naquele momento, a responsabilidade toda estava concentrada em minhas mãos. Eu decidiria o que fazer.  Tinha o compromisso de entregar o filme pronto e não poderia abrir mão dele, sob a pena de falir, assumir uma dívida gigantesca e nunca mais filmar. Mas o que fazer?

Me reuni várias vezes com os chefes de equipe para compreender claramente suas perspectivas e pensarmos juntos em possíveis soluções. Naquele momento, Mariângela Furtado, nossa diretora de produção, foi uma parceira muito ativa na busca de alternativas, mas a decisão era complexa e o horizonte estava turvo.

Deveríamos esperar a greve acabar com toda a equipe em Marabá? Quanto tempo levaria? Teríamos condições de redesenhar a produção para diminuir os custos e absorver os prejuízos sem perder a qualidade do filme? Qual seria o tamanho desse prejuízo?

Deveríamos suspender a produção para conter os gastos, mandar todos para casa e trazê-los novamente quando a greve acabasse? Dependendo do tempo que levasse, perderíamos parte importante da equipe para outras produções. Naquele momento haviam muitos filmes sendo rodados simultaneamente e a quantidade de profissionais qualificados disponíveis estava muito limitada. Já havia sido uma grande luta para conseguirmos compor nossa equipe com a qualidade que o filme demandava.

Para fazer curta esta longa e dolorida história, três dias antes do início das filmagens, a greve dos caminhoneiros ainda não havia se desmobilizado, havíamos constatado que o Brasil não tinha aviação de carga para nos servir como alternativa e nossos chefes de equipe estavam todos recomendando o adiamento das filmagens. Se eu acolhesse, já começaríamos tendo que recuperar prejuízos, possivelmente reduzindo os dias de filmagem.

Você pode imaginar que naquela noite, não dormi muito bem. É importante dizer que em nossa última consulta aos motoristas dos nossos caminhões, eles já haviam identificado a desmobilização da greve na estrada para Marabá e estavam dispostos a seguir viagem. Apesar disso, era uma informação imprecisa e as chances de encontrarem barreiras e não chegarem a tempo do início das filmagens era grande.

Quando o dia nasceu, decidi pelo não adiamento das filmagens. Os nossos caminhões saíram de São Paulo e viajaram com segurança até Marabá. O caminhão do gerador chegou 4 horas antes do início da primeira diária de filmagem.

Foi apertado, mas felizmente deu tudo certo. As filmagens aconteceram como o planejado e, em breve, vocês poderão assistir Pureza nos melhores cinemas!

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