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21.06.2019

QUANDO EU ERA VIRGEM

ligocki QUANDO EU ERA VIRGEMAutor: MARCUS LIGOCKI JR

Começar não é fácil. Depois que decidi dirigir meu primeiro filme, passei 10 anos com projetos sendo rejeitados nos editais do Ministério da Cultura, da Petrobrás e do FAC. Por mais que eu quisesse perder a virgindade, o mundo parecia ter decidido que não me apoiaria. Foi por pura identificação que resolvi recorrer à gigante inglesa Virgin, na esperança que ela me ajudasse a dar um jeito na situação. Risos.

Tinha passado uns meses no Rio de Janeiro estudando direção com o Alberto Salvá, roteiro com o Joaquim Assis e direção de produção com o Chris Rodrigues. Todos mestres do ofício. Para minha felicidade, tanto nas aulas de direção, como nas de direção de produção, escolheram roteiros meus para serem produzidos pela turma. Quando voltei para Brasília, estava com a sensação de que eu poderia seguir carreira que tudo daria certo, mas a prática foi bem diferente. Por mais que eu me esforçasse para emplacar um projeto, ninguém parecia querer me dar uma chance.

Foi quando acordei com uma ideia maluca na cabeça e tentei um passo mais ousado. Pensei numa solução que resolveria o meu problema e o de muitos outros potenciais diretores que estavam na minha situação. Tinha lido a biografia do empresário inglês Richard Branson, chamada “Loosing My Virginity” (Perdendo Minha Virgindade) que era sobre o começo de sua vida nos negócios e sua bem-sucedida carreira. Richard era o dono da Virgin e tinha um estilo ousado de empreender que era diferente de tudo que eu já tinha visto. Além do estilo inspirador, ele tinha uma conexão forte com a economia criativa. A Virgin chegou a ser uma gravadora importante, descobridora do Sex Pistols e várias outras bandas importantes. Richard Branson parecia ser um apoiador em potencial para a causa dos diretores que pretendiam realizar seu primeiro filme. Preparei, então, uma carta, sugerindo que ele montasse uma produtora que realizasse apenas filmes de diretores “virgens”, como eu naquele momento. Minha tese era de que as pessoas se interessariam por saber a história dos diretores e os motivos que os levaram a realizar aquele filme. Acreditava, como acredito até hoje, que só é possível compreender um filme, quando se conhece o diretor.

Minha iniciativa acabou não resultando em nada além de muita diversão. Semanas depois eles responderam a carta muito profissionalmente, como vocês podem ver aí na imagem. Apesar de não ter me tornado sócio do Richard, como gostaria, passei a respeitá-lo ainda mais.

É importante dizer que, neste período, a primeira pessoa que me deu uma oportunidade foi o saudoso produtor Márcio Curi, da AsaCine. Ele se dispôs a produzir meu primeiro curta, chamado “Felizberto”. Colocou sua equipe a seus equipamentos à minha disposição, além de me dar toda a orientação para que o filme fosse realizado. Depois disso, os primeiros trabalhos que consegui como roteirista ou como diretor foram na AsaCine. Foi ali que tudo começou. Graças ao Marcio Curi, eu e vários outros diretores Brasilienses tivemos a primeira oportunidade de nossas vidas cinematográficas.

Digitalizar 20 de jun de 2019 19.10 w 150x150 QUANDO EU ERA VIRGEMligocki 150x150 QUANDO EU ERA VIRGEM


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