SCORCESE, O CINEMA e o FESTIVAL DE BRASÍLIA - Visite Brasília
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08.11.2019

SCORCESE, O CINEMA e o FESTIVAL DE BRASÍLIA

%name SCORCESE, O CINEMA e o FESTIVAL DE BRASÍLIAAutor: MARCUS LIGOCKI JR

O cinema não existe sem o autor. Recentemente, Martin Scorcese se manifestou em defesa do cinema autoral dizendo que os filmes da Marvel não são cinema, e justificou dizendo que estes filmes, que são sim belas experiências sensoriais, como parques de diversões, não trazem a surpresa; Scorcese considera a possibilidade de se surpreender diante das contradições humanas, fator primordial para a experiência cinematográfica.

E você, o que pensa?

Recentemente, executando uma pesquisa de opinião que era parte do método de inovação empresarial do projeto ALI, do SEBRAE, eu investigava a experiência das pessoas na relação com os filmes. Não é difícil de imaginar que a plataforma Netflix foi citada muitas vezes, mas o que me surpreendeu, foi o fato de eu perceber uma insatisfação crescente do usuário em relação à plataforma. Não raro, ouvíamos depoimentos de pessoas que diziam passar horas tentando escolher um filme e saíam sem assistir nada.

Fiquei semanas digerindo aqueles depoimentos, até que fui alvejado por um insight: a inteligência artificial, que é o pilar de sustentação do sistema Netflix, não está conseguindo ter empatia pelo usuário. A inteligência artificial, apesar das pegadas dos usuários deixadas digitalmente, não consegue entender o que as pessoas querem assistir. Talvez porque não saiba o que é nascer e ter que manter-se vivo, produtivo e feliz com todos os obstáculos que a vida oferece. Talvez nunca venha a saber.

Mas quando um amigo que viveu momentos de intensa felicidade ou tristeza ao seu lado, que conhece seus sonhos mais íntimos, que sabe quais são seus talentos e suas maiores dificuldades, quando este amigo que você acredita lhe querer bem, lhe indica um filme, muito provavelmente você assistirá. Por empatia.

A empatia se transmite através dos olhos. Assim como estes faltam à Netflix, faltam aos filmes quando você não se relaciona com quem o realizou. Assim como os dramas pessoais de uma estrela do rock davam sentido ao que cantava, os dramas pessoais de um diretor de cinema aproximam seus filmes de você.

Curiosamente, sob a justificativa do lucro, a indústria cinematográfica há anos vêm investindo em mecanismos de despersonalização e de afastamento entre o público e os autores das obras. Percebe-se este afastamento expresso nos filmes da Marvel e também na Netflix, quando ao lançar o filme “Dois Papas”, de um talento raro como Fernando Meirelles, no painel de divulgação opta por dizer: Dois Papas, um filme Netflix.

São atos sutis, quase imperceptíveis, que pouco a pouco vão avançando sobre o autor e o matando por asfixia. Nas salas de cinema de boa parte do mundo, já se percebe a ausência dos autores e, segundo Scorcese, do cinema. Nas plataformas de VOD, o movimento se repete.

Curiosamente, os autores, também vem sendo induzidos a despersonalizar suas obras, em prol do senso ético que advoga pelo coletivo, pela ausência do privilégio. São subliminarmente desencorajados a se promover e a promover suas obras. As corporações e a sociedade realizam dois movimentos aparentemente complementares que juntos escrevem, paradoxalmente, o escasseamento da empatia pelo ser humano.

Assim como René Descartes que em seu “Discurso sobre o Método” agradece sua religião pela possibilidade do pensamento livre, Scorcese, em seu discurso, agradece à Netflix pela possibilidade de realizar seu último filme. Revelam-se assim as contradições humanas em suas estratégias de sobrevivência. Fica aqui minha surpresa. Me faz lembrar a história do sapo que morre cozido na panela porque a água vai esquentando aos pouquinhos.

Como estaremos daqui a 10 anos?

Pegando carona nesse papo, como sou curador da 52ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que acontecerá do dia 22 de novembro ao dia 01 de dezembro, aproveito esta oportunidade que o site Visite Brasília me dá toda semana, para convidar a todos para conhecerem os autores e seus filmes, nesta grande festa do cinema. Este ano, realizadores de 18 Estados brasileiros exibirão suas obras e falarão sobre suas jornadas pessoais. Aproveite!!! Venha assistir a grandes filmes e conhecer mais sobre este lindo país que é o Brasil.

 

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